Prevenção e enfrentamento aos assédios, discriminações e outras violências
Esta trilha se articula ao percurso iniciado na Trilha Transversal e foi pensada para aqueles que integram o Núcleo de Acolhimento Humanizado da UFERSA, aproximando a formação das situações que podem chegar a esse espaço. Partimos da compreensão de que acolher experiências relacionadas aos assédios, às discriminações e a outras formas de violência requer uma escuta sensível, que considere a pessoa e aquilo que ela narra, buscando compreender a experiência nas circunstâncias e relações em que foi vivenciada.
Para isso, a trilha reúne cursos, estudos e outros materiais formativos que podem ser percorridos de acordo com as questões e necessidades que se apresentam no trabalho do Núcleo. Esse repertório amplia as possibilidades de compreensão do acolhimento e, sobretudo, da escuta como parte desse processo. Vale ressaltar que, essa escuta não se orienta pela investigação do que aconteceu, mas busca criar condições para aquele(a) que procura o Nahu possa compartilhar sua experiência, reconhecendo sua participação e responsabilidade no modo como se coloca nesse processo.
Frente a essa construção, o objetivo principal é de que o repertório construído ao longo da trilha possa contribuir para os diálogos que se constituem no acolhimento, ajudando aos integrantes do Núcleo a compreender, junto com cada pessoa, formas de seguir diante da situação vivenciada. Essa perspectiva também nos ajuda a compreender o lugar do Nahu na Política de Prevenção e Enfrentamento aos Assédios, às Discriminações e a Outras Formas de Violência da UFERSA.
Desse modo, mais do que seguir uma sequência previamente definida, cada participante poderá construir seu percurso a partir das questões ligadas a sua atuação, escolhendo e retomando sempre que achar necessário os materiais compartilhados em cada eixo. Nesse sentido, espera-se que a trilha permaneça aberta às experiências de quem acolhe e às situações que chegam ao Núcleo, fazendo da formação um espaço reflexivo e investigativo da própria prática de acolhimento na UFERSA.
1. O ENCONTRO COM QUEM CHEGA: Construindo uma escuta sensível
Sentido formativo: Compreender o acolhimento como um encontro que se constrói na relação com a pessoa acolhida, respeitando seu tempo e os sentidos atribuídos à experiência narrada. Valorizar uma escuta sensível e não julgadora, sem antecipar respostas ou conduzir o relato para caminhos previamente definidos
| Curso EVG/Enap | CH | Relação com o eixo |
Eixo 2 – Escutar de forma efetiva | Programa Comunicação | 20 | Aprofunda a escuta como dimensão das relações e da comunicação, favorecendo atenção às pessoas e às situações vivenciadas. |
Comunicação não violenta | 20 | Contribui para pensar diálogo, empatia, necessidades e formas de comunicação que favoreçam relações de confiança. |
2. O CUIDADO NO ACOLHIMENTO: legitimando a experiência narrada
Sentido formativo: Refletir sobre os cuidados implicados no acolhimento de situações sensíveis, considerando a proteção das informações do relato. Compreender que as experiências assumem sentidos próprios para quem as vivencia, situando o acolhimento a partir da singularidade do sujeito.
| Curso EVG/Enap | CH | Relação com o eixo |
Proteção ao Denunciante e Tratamento de Denúncias em Ouvidoria | 20 | Oferece referências sobre proteção da identidade e tratamento responsável de informações, ajudando a compreender cuidados e limites institucionais sem confundir o NAHU com a Ouvidoria. |
Ouvidorias Públicas no Enfrentamento ao Racismo | 30 | Amplia referências para uma escuta institucional atenta ao racismo e às desigualdades que podem atravessar as experiências relatadas. |
Acessibilidade na Comunicação | 30 | Contribui para reconhecer barreiras comunicacionais e diferentes necessidades no processo de acolhimento. |
Gestão de Casos de Violência Baseada no Gênero | 20 | Aborda rede de proteção, bem como padrões mínimos de atendimento humanizado. Na trilha do NAHU, pode ser utilizado como referência formativa para o acolhimento, observando as atribuições próprias do Núcleo. |
3. O NÚCLEO NA REDE INSTITUCIONAL: o acolhimento em diálogo com a rede
Sentido formativo: Compreender o acolhimento como parte de uma rede institucional, reconhecendo sua construção nas relações entre diferentes instâncias e saberes. Aborda ainda, o cuidado com quem acolhe como responsabilidade institucional e coletiva, favorecendo espaços de diálogo e apoio entre os integrantes do Núcleo.
| Curso EVG/Enap | CH | Relação com o eixo |
Resolução de Conflitos Aplicada ao Contexto das Ouvidorias https://www.escolavirtual.gov.br/curso/120 | 20 | Apresenta possibilidades de diálogo em espaços institucionais de escuta e contribui para compreender limites e possibilidades dos encaminhamentos. |
Violência Baseada no Gênero: Qual a nossa Responsabilidade como Rede? https://www.escolavirtual.gov.br/curso/1440 | 10 | Aprofundar o cuidado em rede e o papel dos diferentes serviços na proteção e no encaminhamento. |
Ouvidorias Públicas no Enfrentamento ao Racismo https://www.escolavirtual.gov.br/curso/1042 | 30 | Ampliar a compreensão sobre o enfrentamento ao racismo e sobre o papel das ouvidorias no acolhimento e encaminhamento de manifestações de cunho racial, favorecendo o diálogo do Nahu com outras instâncias institucionais. |
Para ler e aprofundar
Acolher: proposta de criação de núcleo de acolhimento para a efetivação da Resolução CNJ n. 351/2020 nos tribunais de justiça
Fernanda Baldo Romero; Marcelo Ribeiro Silva; Lis Andrea Pereira Soboll. Revista CNJ, 2025.
Essa referência discute estrutura e práticas de um Núcleo de Acolhimento de Situações de Assédio, com autores vinculados à UFMS e à UFPR. DOI: 10.54829/revistacnj.v9i2.778
A escuta sensível em comunidades indígenas, extrativista e escolar
Maria Santana Ferreira dos Santos et al. Revista Terceiro Incluído, 2015.
Com base nos estudos de René Barbier, aborda a escuta sensível como uma forma de compreender o outro para além do que é explicitamente dito, oferecendo uma base conceitual interessante para pensar a postura de acolhimento.
DOI: https://doi.org/10.5216/teri.v5i2.38731
Para enfrentar a violência sexual nas universidades, o tripé: acolhimento, normas específicas e educação. Entrevista com Heloísa Buarque de Almeida
Entrevista acadêmica discute acolhimento, prevenção, hierarquias e encaminhamento de situações de violência sexual no contexto universitário. Mostra-se pertinente para aproximar o debate da realidade das universidades.
DOI: https://doi.org/10.4000/pontourbe.8702
Para assistir e discutir
Podcast Corregedoria Descomplica — “Assédio moral e sexual na Administração Pública: como acolher suas vítimas?” Anvisa / Ministério das Mulheres
Episódio com participação de Ana Maria Vilanova, do Núcleo de Enfrentamento do Assédio da CLDF. A discussão é diretamente voltada ao acolhimento de pessoas em situações de assédio na Administração Pública. CORREGEDORIA DESCOMPLICA EP 2 – YouTube
Rede de Acolhimento da ANTT , por meio de vídeo e orientações
Apresenta o acolhimento como um processo de inclusão, respeitando o tempo de reflexão e decisão da pessoa. A página institucional reúne orientações e acesso ao vídeo da Rede. Integridade — Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT
Por que a universidade adoece? Relações, violências e saúde mental nos espaços acadêmicos, uma produção da UFCA. Por que a universidade adoece? Relações, violências e saúde mental nos espaços acadêmicos – YouTube
Semana do Combate ao Assédio e à Discriminação – Dia 1 – Justiça Eleitoral do Piauí. Semana do Combate ao Assédio e à Discriminação – Dia 1 – YouTube
Materiais de referência para a prática de acolhimento
Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação — MGI
Situa o acolhimento como um dos pilares da política federal, incluindo serviço especializado de escuta ativa, capacitação das equipes e proteção da identidade e do bem-estar das pessoas. Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação na Administração Pública Federal — Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos
Guia Lilás — Jornada da denúncia / escuta ativa — CGU
Traz orientações sobre ambiente acolhedor, relação de confiança, cuidado com perguntas excessivas e atenção a fatores estruturais e situações de vulnerabilidade. Guia Lilás
Atividade Integradora: Quando alguém recorre ao NAHU
De modo a ampliar as reflexões construídas ao longo desta trilha, apresentamos uma situação elaborada a partir de estudos sobre acolhimento e escuta em situações de assédio e outras formas de violência. A proposta é aproximar essas discussões do lugar ocupado pelo Núcleo de Acolhimento Humanizado da UFERSA e das escolhas que vão sendo feitas no próprio encontro com a pessoa acolhida.
Uma servidora procura o Núcleo e, no início da conversa, diz apenas que está vivendo uma situação difícil no trabalho e que não sabe se deveria estar ali. Aos poucos, relata que há algum tempo recebe comentários de conotação sexual de um colega e que, mesmo depois de demonstrar incômodo, as situações continuaram. Além disso, conta que passou a evitar alguns espaços da Universidade e que tem receio de permanecer sozinha com essa pessoa.
Durante o relato, a servidora demonstra dúvida sobre como nomear o que viveu. Em alguns momentos, questiona se não estaria “exagerando” e diz ter medo de que outras pessoas saibam da conversa. Pergunta se, ao contar o que aconteceu ao Núcleo, será obrigada a fazer uma denúncia. Antes de continuar, quer saber o que acontecerá com aquilo que ela disser.
Link para responder a questão integradora: https://forms.gle/ncEUtmHcopcqp4Jk6
Referências utilizadas na construção da atividade
FONSECA, C. da C.; CASTORINO, A. B. Mulheres em situação de violência sexual no ambiente universitário: uma descoberta a partir da escuta sensível. Revista da Faculdade de Educação, v. 41, n. 1, e4125018, 2025.
DOI: https://doi.org/10.30681/faed.v41i1.14231
BRANDÃO, N.; CARVALHO, M. M. Teixeira de; COSTA, V. B. da; SANTIAGO, W. Sistema de escuta e acolhimento – AcolheIOC. In: ENCONTRO BRASILEIRO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, 9., 2022, São Paulo. Anais […]. São Paulo: Sociedade Brasileira de Administração Pública, 2022. Disponível em: Sistema de Escuta e Acolhimento – AcolheIOC | Encontro Brasileiro de Administração Pública